Archive for Agosto 2012

Querido caso,

Você foi viajar mesmo sabendo que eu não poderia, mesmo sabendo que eu ficaria aqui jogada às traças dos livros empoeirados de novas jurisprudências e teorias.

Você quase que instantaneamente decidiu ir, e foi. Então, não me venha dizer de saudades, pois saudade é para quem não escolhe, para quem de outra forma teria feito diferente. A saudade é para os sujeitados, e não para os sujeitos.

Aproxima-se a data de sua volta, e me encontro na espreita de desvendar um modo bem sub-humano de te torturar. Não que sua ida tenha me maltratado de forma tão dolorosa, mas o fato de você ter subvertido a ordem das decisões me irritou. E só pelo fato de eu estar irritada, decidi que você tem que sofrer. Assim mesmo, de forma bem primitiva, sem muitas elaborações.

Nada me ocorre momentaneamente. Não falar muito com você? Você logo perceberia e abriria alguma discussão para verbalizar isso. Não quero discutir, porque brigar é você ter a dimensão da grandeza do meu incômodo. Não, não vou discutir com você. Também não vou deixar você perceber que não estou falando tanto com você por birrinha, pois o resultado seria o mesmo.

Já sei! Direi que estou muitíssissimo ocupada. Sabe como é, uma semana é o suficiente para que o sistema solar realinhe os astros e muito mude por aqui. Como meu pai diz: "uma mulher se reinventa a cada momento". Estarei ocupadíssima com tarefas domésticas inadiáveis. 

Na quarta, vou assistir audiência e resolver coisas, digamos, processuais. Nem me venha com questões de almoço, pois serão rechaçadas pelo meu senso de responsabilidade e urgência com minhas horas.

Na quinta, resolverei uma pendência de máxima importância: o supermercado do mês. Se dizem que saco vazio não para em pé, o que se dirá sobre uma dispensa, não é!? Tudo muito importante e exaustivo.

Na sexta, terei um almoço com um amigo antigo que você morre de ciúmes, depois terei minhas tarefas femininas inabaláveis e, à noite, se a órbita estiver favorecendo, sairei com amigas para bailar no aniversário de uma comadre de turma. Nossa, essa sexta está de arrasar no meu plano de fazer você se torturar. Ah, querido, não fique assim. Você que está se fazendo isso, afinal, eu não estou fazendo nada, mas apenas continuando a vida que sempre esteve aqui, você que se ausentou e perdeu o passo.

Ah.. e já que estamos falando de tortura, haverá requintes: tudo será falado com a voz mais mansa e dissimulada do mundo. Afinal, não quero que você saiba que tudo é um pouco propositalmente para te incomodar.

No sábado, passearei por aí e estarei muito cansada à noite para qualquer prosa mais alongada. E, no domingo, encontrarei com uma amiga e resolverei pendências para a semana seguinte.

Acho que é isso, por enquanto. Minha pequena vingança tem programação até domingo, então ficamos assim combinados. Afinal, meu querido caso, você viajou, mas o planeta não parou de rodar por aqui, muito pelo contrário, estamos girando de vento em popa.

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Conversas fantásticas

- Oi, quero um pão na chapa e um café, por favor.
- Pão na chapa normal?
- Sim. (...) Peraí, peraí, tem outra opção além do normal?
- Não.
- Ah, não? Bem, então vai o normal mesmo.

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Estripulias joviais

Ouch.. esse título foi digno de uma senhorinha de 80 anos, fala sério!? hahaha

Mas bem, vamos ao que interessa, o motivo do título e do post. Estava eu, ontem, voltando pra casa no fim do dia no ônibus, morta com farofa, e sentei - com muita alegria no coração, já que estava carregando bastante peso - do lado de uma mocinha de chinelo, toda jogada no banco, com uma cara assim.. esquisita. Sabe quando você percebe que tem alguma coisa estranha no ar!? Ela não tinha nenhuma bolsa na mão, estava encostada com a cabeça na janela, com cara de desolada, espremida no canto.

Minutos depois que sentei e o ônibus recomeçou a andar, eu - que estava com phone ouvindo música - percebo um papo da menina com o trocador do ônibus que pareceu ser a resolução daquele mistério. Claro que, discretamente, desliguei a música e comecei a ouvir o papo deles enquanto olhava para o outro lado fingindo que continuava a escutar a música (quem nunca? hahahah).

Mas vamos ao que interessa. A mocinha tinha faltado ao colégio e, não sei porque cargas d`água, estava dando voltinhas de ônibus com o trocador. Aliás, eu sei né, é óbvio que os dois estavam de namorico (update para hoje em dia: se pegando) e ela resolveu passar uma tarde romântica ao lado dele.. no ônibus.

Opções de romantismo a parte, ela estava preocupadíssima porque a mãe não parava de ligar para o celular dela, estranhando que não tinha chegado em casa ainda. O telefone tocava, tocava, tocava e ela não atendia e falava pra ele "hoje eu morro". Logo que ela começou a falar isso eu já pensei em um caso que passou no "Profissão Repórter" no qual a mãe achava que a filha estava desaparecida quando, na verdade, ela só não tinha voltado pra casa com medo da bronca que ia levar da mãe por ter passado o dia com o pseudo namoradinho. Me deu uma baita aflição pensar nisso, vai que a doida resolvesse não voltar pra casa também com medo da bronca!? Ai papai.. Já estava eu, tensa, não com meu cansaço e aquele trânsito, mas sim que a mocinha do meu lado não parecia estar nem perto de chegar em casa.

E ela, tensíssima, falava: "nunca mais faço uma loucura dessas" - e perguntava: "fulano (esqueci o nome), que horas vou chegar em casa?" (eram 20h), aí ele: "20h40 no máximo". E eu nem pensava "aham, Cláudia, senta lá" porque não ia adiantar muito, pensava "aham, fulana, deita aí mesmo que vai demorar muito".

E toca o ônibus parar em todos os sinais possíveis e imaginários, carro quebrado na pista etc. E olha que entre eu entrar e sair do ônibus é um trajeto de tipo uns 3 km.. coisa pouquinha, mas que, com o engarrafamento, demooora.

As poucas vezes que o trocador deu algum parecer sobre a situação que não fosse dar alguma ideia mirabolante de desculpa para ela dar pra mãe (com o que ela respondia com um: ih, não vai colar, minha mãe pesca tudo, não é nada boba), ele disse para ela descer do ônibus e pegar outro em outro sentido para ir mais rápido. Veja só.. a menina perde aula, some da mãe, vai levar uma mega bronca, e o tapado sugere que ela desça do ônibus e pegue outro pra se virar e voltar pra casa sozinha. Quase intervi chamando-o de banana, mas resolvi manter minha pose de quem estava ouvindo Naldo ou qualquer coisa que o valha enquanto continuava olhando para o outro lado.

Por fim, desci do ônibus torcendo para que minha amiguinha chegasse em casa o mais rápido possível. Mas o engraçado foi lembrar como eu também já fiz um bocado de travessuras que, olhando na teoria, eram muito desnecessárias, mas, à época faziam todo o sentido e tinham todo o significado do mundo. Viva a juventude e a paciência de nossos pais!

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Ação aqui, reação acolá

Andei pensando essa semana em como o movimento de uma pessoa repercute na vida de uma outra, não exatamente de uma forma lógica. Por vezes, a decisão de uma amiga sua, ou de um casinho faz você repensar a sua própria vida e tomar decisões em cima disso, não porque fizeram nada relacionado a você, mas porque aquelas ações repercutiram de alguma forma na sua alma, trazendo novos motivos, novas razões, ou levando as que havia.

Tenho um caso de meses que viajou essa semana. Diz ser apaixonado por mim, mas viajou para outro país com amigos e amigas, mesmo sabendo que eu não poderia ir, mesmo sabendo que eu ficaria aqui estudando, sem nenhum ar fresco de férias bem aproveitadas. 

Claro que cada um deve aproveitar o máximo de vida que a vida lhe dá, sem dúvidas, mas que rolou um ressentimento aqui dentro, rolou. O cara diz que é louco por você, fala com você todos os dias, o dia todo, diz que morre de saudades quando vocês não se encontram, mas, mesmo eu não podendo ir, ele arruma a mala e vai viajar com amigos e amigas por uma semana. E, vejam só, ainda ficou triste quando eu disse que ficaríamos sem nos falar esses dias, para dar um ar fresco. Imagina.. ele que viaja e eu que tenho que ficar aqui recebendo fotos da alegria e falando com ele para que ele não sinta saudades. Ah tá, espera..

O curioso é que foi só ele entrar no avião para que o rancorzinho criado em mim me desse a convicção de que está na hora de seguir em frente. De parar de me enganar também, porque eu já disse mil vezes pra ele que não vamos namorar, mas eu estou me prendendo também, afinal, só saio com ele, só faço planos com ele etc, mesmo sabendo que meu coração não bate perdidamente ali.

Foi aquele avião decolar para que eu me sentisse livre. Saber que vou andar nas ruas e não tenho o risco de  esbarrar com ele por uma semana me pareceu de um frescor imenso. Como se eu me sentisse na liberdade de ser feliz com os outros sem a vergonha de esconder de mim mesma que eu consigo ficar bem "sozinha". Na verdade, o que me bateu foi uma vontade imensa de ser feliz com outras pessoas. Simples assim.

O curioso é que nessa mesma semana uma amiga minha praticamente tomou a decisão de terminar seu namoro para experimentar o voo solo pela primeira vez. O que é isso? Ficar "sozinha", não pular de um namoro para o outro, viver a delícia de se saber o que é sem uma muleta ao lado. E me intimou para saídas na fossa agendada.

Ventos novos? Não sei, mas tomara que melhores. Não posso deixar de pensar, contudo, como as decisões que outras pessoas tomam em suas próprias vidas me afetam. Se para melhor, que continuemos assim.

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